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Bobox

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012



  AS NOVAS TECNOLOGIAS E O FUTURO DO TELEDOCUMENTÁRIO

 TELEVISÃO , EXPECTADOR E CONTROLE REMOTO
 
É inegável que a modernidade trouxe inúmeras transformações à vida das pessoas. Desde os direitos humanos, à invenção da TV, do fantástico e prático controle remoto, às tecnologias de informática (Internet) e de comunicação (transmissão analógica e, a mais recente, a digital). Mas trouxe, também, poderosas bombas, granadas, mísseis - armas químicas com enorme poder de destruição em massa. Lógico que nem todos os avanços foram bons e trouxeram felicidade, prosperidade, para a humanidade. Sem dúvida, não. Porém, junto com todos esses acontecimentos veio a popularização dos meios de comunicação e a "democratização" da informação - um significativo avanço na Comunicação Social e Audiovisual, mas que não pára por aqui.

Há décadas o jornalismo visual (impresso), áudio (rádio) e audiovisual (televisivo) vêm trilhando caminhos repletos de erros e acertos; vitórias e derrotas; e muitas, muitas dificuldades. Isto torna-se visível quando analisamos a história dos meios de comunicação de massa (M.C.M), o papel social que o jornalismo vêm "desempenhando" e documentando sobre a humanidade ao longo das décadas.
Seja por meio dos tipos móveis, da prensa para impressão - invenções de Johannes zum Gutemberg, em 1450-; das antigas laudas de papel escritas à mão; das arcaicas máquinas de escrever que costumeiramente prendiam os dedos de quem as usava para digitar; dos jurássicos computadores a válvulas como o ENIAC que tinha 30 metros de largura por três de altura ou pela rede mundial de computadores, a Internet, todos esses recursos tecnológicos exerceram algum tipo de mudança na vida dos emissores e receptores das mensagens. 


É claro que o jornalismo sempre foi muito dependente do avanço tecnológico para conseguir inovar, superar seus próprios limites e preservar seu espaço. A televisão é um bom exemplo disso. Ela só tornou-se possível no século XIX, depois que em 1923, o cientista norte-americano e russo de origem, Vladimir K. Zworykin conhecido como "Pai da Televisão" fez duas das mais significativas contribuições de toda a história da Comunicação Audiovisual: uma foi a invenção do primeiro tubo de câmara adequado a teledifusão (iconoscópio) e a outra foi a do tubo de imagem usado em receptores de televisão (cinescópio). Graças a estas criações, há mais de 50 anos a humanidade vê na TV uma fonte de informação e entretenimento acessível.

Atualmente, diante de tanta inovação tecnológica, não é mais coisa de outro mundo que um correspondente internacional grave e edite uma matéria em Nova York e mande-a em segundos via e-mail para a emissora de TV no Brasil por meio de um laptop (computador portátil). Assim como, também, não restam dúvidas que a Internet tem o poder de encurtar distâncias e romper fronteiras territoriais em milésimos de segundos. Incontestavelmente, a televisão conquistou mentes e corações do mundo inteiro, mas nem sempre foi assim.

Nos anos 50, muito se falava dos males que ela causaria à saúde (2). Diziam que por causa dela em Connecticut um cachorro teria ficado vesgo e que suas radiações provocariam câncer e esterilidade! Boatos sobre cegueira e miopia, também não faltaram. Enquanto isso, o mercado ávido e oportunista lançava óculos protetores para ver TV. Na época doenças como torcicolo (telecrane) e acorcundamento (telesquat) (3) também eram efeitos nocivos do "diabólico" aparelho reprodutor de sons e imagens.

Ainda não satisfeitos em tentar detoná-la, em 1956, alguns sanitaristas ingleses acusaram-na de causar envelhecimento precoce. Você já imaginou? Nos dias atuais, em pleno século XXI, você com uma crosta saliente de creme contra envelhecimento no rosto assistindo ao seu programa de TV predileto? Algo semelhante a um emplastro na cor azul turquesa e sobre ele os incríveis óculos telenews para você assistir sossegado o "maligno" aparelho transmissor de ondas eletromagnéticas?

Acredito que não, né? Mas se conseguiu das duas uma: ou você, caro leitor, pode virar um brilhante roteirista e cineasta de filme de ficção científica em Hollywood ou deve procurar imediatamente um psiquiatra para tratar de sua insanidade mental! Sim, pois não há nada mais hilário do que a cena mencionada. Mas, por outro lado, se você ficou triste, cabisbaixo por que não ter conseguido nem sequer se contextualizar na encenação infame, não perca as esperanças. Ainda há tempo! Então me responda rapidamente: você é do tipo "espectador telemaníaco"? Daquele que não sai da frente da tevê nem por um decreto divino? Então, pronto! A partir de agora você pode ser o nosso ilustre personagem. Isto porque que segundo o doutor Meyer Naide diagnosticou, em 1957, os telemaníacos podem sofrer television legs - uma espécie de problema nas articulações das pernas. Caso você não seja do tipo egoísta e adore compartilhar os melhores momentos da novela ou do noticiário bem juntinho com a sua família, fique atento: de acordo com G. M. Wilburn, catedrático da Universidade de Glasgow, a forte radioatividade do vídeo é capaz de afetar os descendentes de um ser humano por dois mil anos. Uma saga e tanto se você tiver uma grande família...

Com o passar dos anos barbaridades toscas, como esta última contra a televisão foram se superando, tomando dimensões ainda mais absurdas e contundentes. Como o cômico texto publicado na imprensa inglesa, em 1959 é exemplo disto: "A TV provoca declínio da inteligência nacional, maior freqüência de pesadelos, aumento de suicídios, de varizes e de cáries dentárias e (...) redução de peixes e batatas fritas!" (4) (sic).

Anos depois, finalmente pesquisas científicas comprovaram que tudo não passava de uma série de bobagens infundadas. Sérgio Benchimol, membro das Sociedades Brasileira e Francesa de Oftalmologia, da Academia Americana de Oftalmologia e especialista em cirurgias de catarata e miopia, explica que nos anos 50 a televisão era um elemento novo que trouxe mudanças e que favoreceu precipitadamente o surgimento de uma onda conservadora contrária ao estilo de vida que as pessoas estavam acostumadas a ter, inclusive dentro da medicina.

Diante do atual cenário econômico capitalista, a espetacularização da notícia é um reflexo da modernidade sim, segundo Max Weber. Da mesma forma que de acordo com as teorias de Marshall McLuhan é possível verificar que as mudanças nas estruturas de programação, enfoque e conteúdo das informações dos meios de comunicação acarretam mutações profundas no modo de viver das pessoas.

McLuhan alerta bem sobre este perigo, que numa visão ainda mais particular, poderíamos arriscar em dizer que a comunicação pode ser considerada na modernidade como: "um conjunto de experiências que promete aventura, poder, alegria, crescimento e transformação das coisas ao redor - mas, ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos"(5).

Não estamos afirmando que a comunicação vai nos destruir. Não é isso. Aliás, muito pelo contrário. Mas, ao mesmo tempo, que ela tem o poder de transformar o modo de pensar, agir e sentir das pessoas, ela pode se tornar perigosa se for baseada no sensacionalismo. Ela poderá servir como um eficaz instrumento de manipulação e substituição de cultura útil por inútil.

Vale lembrar a comunicação saudável é aquela que agrega alguma informação, algum conhecimento útil à sociedade. Nas aulas de Ética em Jornalismo, em especial, é possível constatar a importância do Código de Ética nesta área. É ele que rege a conduta profissional do jornalista e dos veículos de comunicação. Lamentavelmente, a cada dia que passa tenho a nítida sensação que esta cadeira parece ter sido abolida da prática profissional de alguns jornalistas e meios de comunicação. Não é raro se deparar com notícias tendenciosas, pejorativas, que visam beneficiar uma das partes ou mesmo mascarar a verdade dos fatos.

É fundamental que se favoreça à sociedade, assim como o Globo Repórter faz, além do cumprimento da ética no exercício do jornalismo, o alcance do conhecimento de cunho intelectual aos espectadores. A comunicação eficaz requer um conteúdo rico: "As representações devem estar adequadas ao contexto do indivíduo e da comunidade a que pertencem. Assim podem conseguir divulgar uma mensagem atrativa e útil"(6), define Bender.

O enfrentamento de dificuldades em sobreviver na "Selva" mercadológica da Indústria Cultural e do capitalismo, na busca por audiência, não justifica absolutamente a prática do sensacionalismo em nenhum dos aspectos. Não é porque o jornalismo passou a pautar conteúdos baseados no gosto do público-alvo e com objetivo também comercial para se manter, que nós telespectadores tenhamos que engolir bizarrices. A notícia é produto sim, mas deve agregar cultura, educação, e não apenas "pisca-piscas luminosos e intermitentes" de espetacularização visando os preciosos pontos no Ibope.

Seria este o tradicional jornalismo romântico? Não. Para o editor Alcino Leite Neto, do caderno Mais da Folha de São Paulo, o jornalismo tradicional e romântico teria chegado ao fim. É o que Neto chama de "publijornalismo". Uma mistura de mecanismos de persuasão publicitários e informação embutidos em um único produto, a notícia - bem diferente na sua essência que o jornalismo romântico.
O ponto de virada foi tanto e tão forte que na década de 80, surgiram novas formas de produção jornalística. Conseqüências diretas dos avanços da Era tecnológica. Com ela nasceram novas técnicas de elaboração das informações jornalísticas que passaram de um estado de relativa imobilidade a uma rápida aceleração.

A vida das sociedades no final do século XX e início do séc. XXI passou a ser marcada por um ritmo veloz nas relações sociais. As máquinas começam a funcionar com rapidez, as prensas nos jornais, a girar freneticamente a produção, o consumo e a informação também.
O compasso da vida do brasileiro e do mundo tornou-se mais ligeiro não porque tenhamos nos tornado de uma hora para outra mais rápidos, mas porque as tecnologias passaram a fornecer muito mais possibilidades de ação, de trabalho e de lazer - embora nem sempre sobre tempo para desfruta-lo. Com esta multiplicação, o mercado de trabalho passou a exigir mais do homem e querer dele produtividade como a das máquinas.

Diante da evolução e do aprimoramento das tecnologias, a luta contra o tempo passou a ser inevitável. A exemplo do que aconteceu com a televisão, o computador foi elevado a um produto comercial com custos cada vez mais acessíveis e tornando-se cada vez mais popular.

Apesar dele ser um dos últimos rebentos da família dos produtos eletrônicos, o computador transformou-se um bem característico das sociedades industriais evoluídas (ou pós-industriais), a ponto de hoje ser possível medir o grau de desenvolvimento de uma sociedade em termos econômicos baseando-se em levantamentos do número de computadores e de televisores instalados nas residências ou estabelecimentos comerciais.
Outro avanço tecnológico que merece destaque é o da tecnologia digital. Ao assistirmos um documentário numa tecnologia como esta, por exemplo, estaremos vivenciando uma realidade aparente, mas que não é ilusória, segundo Marcondes Filho. Num futuro, não muito distante, o documentarista vai poder usar dos recursos de Internet para possibilitar ao telespectador-internauta uma navegação interativa num espaço onde ele poderá navegar e escolher o caminho que quer seguir através dos links ou hipertexto - linguagem de Internet. Algo, bem mais arrojado e sofisticado, do que se tem acesso atualmente pelo DVD.

Diferentemente do que acontece no documentário tradicional da tevê analógica, o usuário da TV digital poderá fazer pesquisas na Internet sobre temas que realmente o interessam ou mesmo bater-papo on-line com as personagens do documentário já que está conectado a Rede Mundial de Computadores.

Apesar de tantas mudanças radicais, multiplicidades e possibilidades de interação, acredita-se que a produção de documentários vai continuar trilhando os caminhos que Robert Flaherty e Dziga Vertov abriram: o de gravar "fragmentos do real"; assim como o de John Grierson "tratamento criativo da realidade". Assim como já é hoje, daqui 30 anos ainda será possível, através das máquinas e dos sistemas eletrônicos, vivenciar uma série de experiências que Marcondes Filho chama de realidade virtual (7).

Para ele, o "universo tecnocêntrico"(8) cria situações de vivências através dos aparelhos eletrônicos. O conceito de real sofre uma decomposição e cria-se a partir disso uma realidade aparente (9), mas que não é ilusória. Com o passar do tempo e o avanço das novas tecnologias, as máquinas vão cada vez mais se tornando familiares ao homem e o homem, por sua vez, vai delegando cada vez mais atribuições a elas, deixando, ele mesmo, de ter experiência, vivência e conhecimento das coisas.

Contundente Marcondes Filho diz que o aumento das máquinas significou também um empobrecimento do homem. "Há certos ramos profissionais em que os especialistas têm tantas máquinas à disposição que cada vez menos pesquisam, cada vez menos conhecem em profundidade os fatos de sua profissão, cada vez mais ignorantes são"(10) .

Ou seja, para ele, o crescimento da inteligência da máquina passou a equivaler à redução da inteligência do homem. É o resultado oposto, segundo ele, ao que se imaginava antes, em que a máquina promoveria o bem-estar e auxiliaria no seu aprimoramento. Divergências à parte, seria injusto dizer que o conhecimento dos profissionais jornalistas ficou empobrecido com a vinda da tecnologia de ponta e, tão pouco, afirmar que atualmente eles são menos esclarecidos com o advento das tecnologias computadorizadas que há tempos atrás. Isto porque os recursos tecnológicos auxiliaram em muito a mão-de-obra jornalística, que hoje coleta dados, reflete sobre o assunto da notícia e a digita no computador. Portanto, não houve nenhuma redução ou mutilação na quantidade de inteligência do ser humano jornalista, e nem tão pouco, na possibilidade de entendimento do público-alvo das notícias, pois elas deixaram de ser longas e passaram a ser cada vez mais fragmentadas, objetivas, breves e enxutas - a fim de acompanhar o ritmo de vida das pessoas que trabalham, estudam, cuidam dos filhos, etc.

Em se tratando da potencialidade da comunicação moderna, Marcondes a encara como uma grande porta de entrada para um território que toma o lugar do chamado mundo real. Ele acredita que os investimentos feitos nas realidades virtuais, como é o caso de filmes de ficção, reconstituições jornalísticas e documentários de tevê são capazes de provocar efeitos sobre estes indivíduos. "Com certos óculos, fones de ouvido, roupas especiais eu me coloco diante de um programa desta natureza e posso, de forma emocionante e fantástica, conhecer outros mundos, ter experiências agradáveis, entrar por caminhos misteriosos, estranhos que provocam sensações de medo, angústia, prazer, euforia, choque, em suma, um misto de emoções jamais conseguidas outrora por qualquer forma de representação (11)".

Se por outro lado, o homem considera a máquina uma extensão de si próprio, conforme o conceito de prótese em Baudrillard (12 ), por outro, a prótese última, o computador, não. Ela propõe a ele o fim do mundo real, e o início de um novo, apenas virtual.

É por essas e outras que muitos telespectadores praticam o control tour (turismo via controle remoto pelos canais de televisão) em busca de programação interessante, inteligente e útil. Este é um fenômeno social. Está ligado diretamente à necessidade do consumidor-espectador. A programação de TV está lá. Inserida na sociedade democrática, ela entra no lar de milhares de cidadãos e erradia bens culturais, uma vez que é acessível a todos, indistintamente. Circula informação livremente, ramificada das mais diferentes formas nos mais diversos canais do quadrado imagético da televisão. O indivíduo, portador de livre arbítrio, por sua vez, acessa o que ele quiser e na hora que puder.

Sim, mas aí você, caro leitor me pergunta: aonde entra a televisão digital nesta história? E eu te respondo: na melhoria da qualidade da imagem e do som e na ampliação dos caminhos a serem trilhados pelo usuário, mas isso é coisa para um futuro não muito distante.
O que é televisão digital? Televisão digital (HDTV - Higth Definition Television)
Sistema com alta definição de imagem. Sistema aprovado nos Estados Unidos, em 1997. Promete transformar a maneira do espectador assistir à TV. Visa ser a maior revolução desde a criação da transmissão em cores acontecida na década de 50. É a promessa do fim da passividade do telespectador e do uso frenético do controle remoto. Com ela será possível ter grande diversidade de canais disponíveis.
Origem:

As pesquisas para o desenvolvimento e a implantação da TV digital, não são de hoje. Há mais de 20 anos, técnicos de empresas japonesas, européias e americanas de grande porte estão envolvidos neste projeto revolucionário. Quanto à programação, com este sistema poderá ser possível personalizar a TV com mais conteúdos e assuntos específicos do interesse de cada telespectador. Esse método pretende acarretar diversas conseqüências, como o possível isolamento físico; fim do Ibope; mudanças nas estratégias de se fazer marketing e publicidade na TV.

Atualmente o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking dos países com maior número de tevês analógicas no mundo. São 37 milhões de aparelhos. Superado apenas pela China, EUA, Rússia e Japão. Já a Internet, outro fenômeno social, possui mais de 600 milhões de utilizadores espalhados por mais de 150 países. Só no Brasil, conforme estatística realizada em setembro de 2000, pelo Ibope são mais de 14 milhões de usuários.

3 comentários:

  1. Olá, Marilene!
    É um prazer ter este artigo meu intitulado "O futuro do teledocumentário e as novas tecnologias" publicado em seu blog... Convido você e os visitantes da sua página a visitarem o meu site "Jornalismo: uma questão de ética" em www.alessandrasilverio.webnode.com
    Abs,
    Alessandra Silvério
    Jornalista
    Curitiba / PR

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